Qual o tamanho de uma gota?

The Crossing (1996)
All images by Bill Viola©1997 Bill Viola
Em 1994, Viola expôs no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, (Território do Invisível/Site of the Unseen) e em 1995 conheci-o na 46ª. Bienal de Veneza onde ele representou os Estados Unidos com a obra Buried Secrets. No ano seguinte fui ver The Crossing (1996), instalação com vídeo e som na Capela desativada do Hospital Salpetrière, em Paris. Todos estes trabalhos foram extraordinários, mas o de Veneza era tão impressionante que quando vi o artista sentado num banquinho com a cabeça entre as mãos, não pude me impedir de lhe dizer isto. Tímido e modesto, Viola respondeu: "Obrigado. Mas existem ainda uns problemas técnicos que não foram resolvidos". Me pegou pelo braço e entramos no pavilhão americano onde, num grande painel, projetava-se o vídeo gigante das imagens das gotas que caiam de fato num balde de água no meio da sala. "Está ouvindo o som das gotas que caem?". Era um som normal, um pouco ampliado, de gotas que despencam lentamente, uma a uma. "Não é assim?", perguntei. "Não, o som verdadeiro não é esse". Voltei no dia seguinte. O defeito já tinha sido consertado. Só que agora, cada gota ressonava como uma bomba atômica. Aturdida, fui para os jardins da Bienal, sentei-me na grama e só então entendi que Viola é como Baudelaire e as suas "mônadas solitárias", expressão pela qual descrevia as gravuras de Goya. O poeta sempre disposto a ler o grande no pequeno.
Até amanhã, que agora é hoje e nem sei porque fiz um post sobre Bill Viola pois ia falar de uma tradução hilária do QOC feita pelo Google da qual fiquei sabendo por causa do Idelber. Fica para a próxima!









































<< Home