Quando, Onde e Como

Quando e onde as coisas da arte e do quotidiano acontecem. E como as vejo. É assim que "Quando, Onde e Como" revela o que não publico nos jornais... When and where art and life facts happen. And how I see it. This is the way that “When, Where and How” shows what I do not publish in the press...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Dr. Ruy foi o nosso anjo da guarda


Esta minha carta a Frederico de Moraes foi escrita em Paris, no dia 2 de abril de 1998, por ocasião da palestra sobre a censura que ele proferiu na FUNARTE, onde relatou a experiência dele enquanto Juri do IV Salão Global de Inverno de Belo Horizonte, em 1976, junto com Rubens Gerchman, Mario Cravo, Carybé e eu.


 
Lincoln Volpini

Querido Frederico Moraes,

Escrevo-lhe para dar o meu apoio à iniciativa da Funarte em debater a questão da Censura em nosso país, e me juntar a você no seu relato do "caso Lincoln Volpini" do qual partilhamos, cada um à sua maneira, o testemunho e os dissabores em 1976.

Tenho a lembrança (ou o sentimento) que, além do artista - condenado a um ano de prisão pelo Conselho Permanente de Justiça da 4º Região Militar de Juiz de Fora - você foi o mais prejudicado de todos nós, pois, se a memória não me falha, você presidiu o nosso júri que premiou a obra de Volpini, no IV Salão Global de Inverno de Belo Horizonte. O desfecho do processo para você, Rubens Gerchman, Mario Cravo e Carybé foi diferente do meu. Pois, talvez você se lembre, um filho de cinco anos adoentado que estava comigo, me fêz deixar Belo Horizonte pouco antes do final do nosso trabalho de seleção.

Porém, o fato de ter sido excluída "por motivo de saúde" do processo que durou 2 anos, não me afastou do sofrimento, medo e revolta durante o período dos interrogatórios. Mesmo que eu não o tenha premiado lembro-me da obra que depois foi retirada da galeria do Salão Global, realizado em Ouro Preto, por ordem da polícia. Esta alegou que o trabalho divulgava conteúdo subversivo porque mostrava a bandeira brasileira (sem a frase "Ordem e Progresso") e a inscrição "Viva a guerrilha do Pará - 73".

Eu me sentia solidária a vocês e àquele jovem pintor mineiro de 24 anos, estudante da Escola de Belas Artes da UFMG, a quem os policiais recomendavam fazer uma arte "pura", como se estivéssemos revivendo os tempos dos "degenerados" na Alemanha nazista. Vai ficar marcado em minha memória para sempre, o momento de perplexidade e, em seguida, de horror – pouco depois da morte de Wladimir Herzog - em que ví a Polícia Federal bater à minha porta, para me encaminhar a interrogatório.

Porque tive o bom reflexo de telefonar ao meu editor no jornal "O Estado de S. Paulo", fui alertada sobre o perigo e aconselhada a aguardar imóvel a chegada de um advogado. Rapidamente veio o Dr. Aloisio de Toledo César, advogado e jornalista da Empresa, que - a pedido do Dr. Ruy Mesquita - me acompanhou até as dependências da Polícia Federal, onde passei a tarde e parte da noite, e para onde voltei ainda várias vêzes, sempre acompanhada do advogado. O ambiente, a tensão, a pressão, o absurdo do teor, e também a forma como as perguntas me foram colocadas, eu só tinha visto na literatura de Kafka, Dürenmatt, Malaparte, e nos filmes de Solanas e Gavras, entre outros.

Imagino o que este momento tenha significado para você, para os colegas de júri, e para o jovem artista. Conheço e admiro a sua militância em favor dos direitos do homem, por meio de sua atuação política e artística. Sei que a sua experiência é maior do que a minha que se limita à ação estudantil no final dos anos sessenta, à uma vivência pessoal sem dúvida assustadora durante a prisão, o interrogatório, a queima de livros e a tortura de meus amigos e de meu primeiro marido em 1970, e à censura de partes de meus artigos pelos interventores federais na Imprensa paulista. Alí, mais uma vez, o Dr. Ruy Mesquita, como forma de protesto, fazia publicar as famosas receitas... De certa maneira, naquele período de chumbo, Dr. Ruy foi o nosso anjo da guarda.

Acredito que, apesar de toda a sua prática, o "caso Lincoln Volpini" tenha marcado você da mesma maneira indelével, que a mim. Tanto é que, hoje, você traz esse momento de volta e me compele a lhe escrever de tão longe, apenas para oferecer o meu apoio e a minha pequena parte de testemunho.

Querido Frederico, você sabe muito bem que os falsos ou pseudo-valores que sustentam as "Seguranças Nacionais" enquadram os artistas em suas leis para mascarar a sua fragilidade. E que é justamente fazendo isso, que eles acabam, ao contrário, por se revelar ainda mais fracos. Então, como num círculo vicioso, precisam, de novo, encontrar outra vítima para sobreviver. É porisso que as atrocidades se repetem ad infinitum. Estou muito feliz que, por esta razão, você retoma a história, com o "caso Volpini". Precisamos ficar vigilantes, pois, como com a Shoá,  não se deve jamais esquecer.

                                                                   Um grande abraço,

                                                                   Sheila Leirner

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posted by Sheila Leirner at 17:05 |

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sachertrauma

"O tato é a imaginação do que os outros podem sentir.
O fato de ele sair da imaginação explica porque é tão raro".
Charles Dantzig

Sachertorte, a preferida de Nanni Moretti, no filme Bianca

A foto de uma torta Sacher, publicada por Nelson Ascher no Facebook dele, trouxe à tona uma lembrança dolorosa que consegui recalcar durante 29 anos.

Tudo começou quando viajei à Viena, enviada pela Bienal de São Paulo, para olhar a cena artística e discutir com o comissário austríaco a representação daquele país. Como uma amiga quis ir comigo e dividir as despesas de hotel, pudemos multiplicar as estrelas por dois e escolher o Sacher Hotel. Eu, menos pelo luxo do que pela torta do mesmo nome que era servida no salão de chá; e a minha amiga mais pelo luxo do que pelo resto.

Eu sonhava com aquela torta, muito antes de sonhar com o posto de curadora. Assim, ao chegar em Viena, estabeleci as minhas prioridades nesta ordem:

1) Sachertorte
2) Sachertorte
3) Sachertorte
4) Arte e trabalho
5) Passeio
6) Ópera

Na noite de minha chegada, mal consegui dormir antevendo o momento em que estaria no aconchegante salão de chá branco e dourado, diante da fatia daquele bolo redondo, constituído de duas partes de pão-de-ló levíssimo de chocolate, com uma fina camada de geléia de damasco no meio, tudo isso envolvido por uma cobertura de chocolate amargo em cima, embaixo e dos lados...

Antes de marcar com o comissário, diretores de museu, artistas - e até mesmo de pensar em ir ver Egon Schiele e mais Egon Schiele - desfiz as malas esperando o momento de descer à grande sala.

- "Você quer mesmo ir comer essa torta?" perguntou a minha amiga. "Nem bem acabamos de chegar..."
- "E você me pergunta? Eu quero comer essa torta ONTEM!!!"
- "OK, depois não falamos mais nisso, está bem?"
- "Não garanto nada..."

Descemos ao salão de chá. Quando as duas fatias chegaram - trazidas pelo garçom em alvos pratinhos de porcelana branca bordeada de ouro sobre uma bandeja de prata - tive a mesma sensação de quando vi pessoalmente em Florença, pela primeira vez, o "David" de Michelangelo:

- "Oh! Que bela compleição!"

Esperei um pouco, antes de atacar a maravilha, para poder degustá-la igualmente com o olfato e os olhos, mas a minha amiga foi mais rápida. De um gesto, cortou a ponta do triângulo com o garfo, levou-o à boca e... fez uma careta.

- "O que?", perguntei.
- "Bah!"
- "Bah, o que?"
- "Geléia com chocolate não combina! Detesto geléia com chocolate!!! Bah!"

Se olhar de raiva matasse, a minha amiga estraga-prazeres teria caído fulminada. Ao contrário, pousou o garfo e afastou o pratinho para longe, deixando 3/4 da torta para os garçons os jogarem aos cachorros pinscher vienenses. Enquanto ela folheava o propecto turístico que tinha apanhado na recepção, eu comi a minha Sachertorte em silêncio, me perguntando porque eu sempre escolhia as pessoas erradas para os lugares certos e vice-versa. E recalquei para sempre - ou melhor, até hoje - a dor daquele momento.

Até amanhã, que agora é hoje e ofereço a receita aos meus leitores!


Receita da Torta Sacher


Ingredientes (10 porções)

Massa: 150 gr de farinha
150 gr de chocolate amargo fondant
2cs água
150 gr de manteiga amolecida + 30 gr para a forma
200 gr de açúcar
7 ovos

Recheio:
250 gr de geléia de damasco


Cobertura:
150 gr de chocolate amargo fondant
50 gr de açúcar de confeiteiro
30 gr de manteiga amolecida 2 cs água

Preparo:
- Derreta o chocolate com 2 colheres de sopa de água, em banho-maria e deixe esfriar.
- Numa tigela, misture bem as gemas com o açúcar, até embranquecer. Incorpore a manteiga e o chocolate derretido.
- Acrescente alternadamente as claras batidas em neve e a farinha peneirada, misturando de baixo para cima para um resultado bem aerado e homogêneo.
- Unte uma forma redonda de bom tamanho com manteiga e polvilhe com um pouco de farinha.
- Coloque a massa, nivelando bem a superfície e leve ao forno de 160°/180° graus durante cerca de 40/60 minutos ou até que um palito saia limpo.
- Retire do forno, deixar esfriar e divida o bolo horizontalmente em 2 discos de igual espessura.
- Passe a geléia de damasco sobre um dos discos e cubra-o com o outro.
- Para preparar a cobertura, dissolva numa panelinha, em banho-maria, o chocolate amargo, a água, o açúcar e a manteiga.
- Espalme este glacé ainda quente sobre toda a superfície do bolo. Trabalhe rapidamente pois a cobertura endurece logo. Deixe-a solidificar-se em temperatura ambiente. A torta Sacher pode ser servida com creme chantilly.

Guten Appetit!


 

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posted by Sheila Leirner at 11:09 |

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Meu presente de Ano Novo


Depois de ter passado por 2012, que foi tão duro para todos nós, achei que merecia - mais do que um presente - um prêmio de consolação. Algo que fosse, ao mesmo tempo um desafio no qual eu pudesse utilizar a cabeça (sem ter que pensar muito) e empregar alguma habilidade manual. A aptidão com as mãos, pelo fato de ter feito tanto bordado e miniatura, talvez seria possível reencontrar. Mas usar a cabeça pelo prazer, sem pensar, só podia ter a ver com a cabeça mesmo, ou melhor, com o rosto...

A equação não foi difícil de resolver. Mãos + cabeça = maquiagem. Voilà! "Preciso aprender a me maquiar", pensei. Porém, maquiar de verdade não é coisa para qualquer um e também não é coisa para quem usa a cabeça pela parte de dentro. É algo para a deusa egípcia Hator, Cleópatra, Popéia Sabina, Maria Antonieta, Top Models e outras que tais! Nada que tivesse tocado Simone de Beauvoir...

"Mas eu não sou Simone de Beauvoir", atinei. Posso me divertir imaginando que o meu rosto é uma tela de pintura e que uma paleta de cores divinas será meu desafio! Porque não?

Admito que não foi fácil para uma neófita encontrar o bom produto e as boas técnicas. Após muita pesquisa, paciência e risada - e graças à fada Internet e à futilidade de centenas de fantásticas experimentadoras que se levam a sério - descobri a paleta fetiche das moças que entendem de maquiagem! Ela custa uma pequena fortuna, mas ninguém deixa de comprá-la por causa deste detalhe. Na Sephora tinha mais mulheres acariciando a tal da paleta Naked 2, do que homens experimentando o iPad 4 na loja Apple...

A minha paleta/prêmio de consolação é muito linda e já a inaugurei no réveillon. Não que ela tivesse tido o milagre de me fazer mais jovem. Na verdade, levei tanto tempo para entender como é que se esfumaça o canto do olho e se ilumina a parte que fica embaixo das sombrancelhas que, quando terminei, pelo cansaço, achei que estava pronta para ir dormir...

Até amanhã que agora é hoje, e Feliz Ano Novo 2013 para os ex-leitores do QOC!!!

Elogio Da Maquiagem - Baudelaire

Les produits de beauté. - Pour le visage de la femme (Ovídio)

Para ouvir o programa Histoire de la beauté - France Culture

Excelente blog de Sophie Chassat → Sois brillante (et pas qu'avec ton gloss)


posted by Sheila Leirner at 11:20 |

sexta-feira, 25 de março de 2011

6 anos sem fumar!

"A coisa tá ficando ruça"


Picasso, "Woman with a cigarette".

Eu tinha um tique. Antes de acender o cigarro, dava umas batidinhas com ele no meu isqueiro. Não sei se era um tique, um ritual ou se era para que o fumo ficasse mais compacto. Ou se estava tentando dizer algo assim como “eu sei que fumar faz mal e a sua opinião não me interessa”. Talvez eu tivesse visto o gesto em algum filme e ele ficou na minha cabeça. Ou ainda fosse apenas porque esta era a única e elegante expressão masculina de autoridade que eu me permitia. Enfim, não sei o que eram essas batidinhas...

Fui à uma festa. Era uma daquelas que o anfitrião mistura tudo que é gente para ficar mais “interessante”. Ator, crítico de arte, prêmio de literatura, artista da exposição do momento, politécnico, conservador de museu, curador brasileiro, etc. Ninguém se comunica, mas fica mais interessante. Tinha lá uma moça russa, vestida como uma russa, com sotaque e cara de russa. Não podia ser mais russa. Só que, ao contrário dos russos, essa não era simpática. Não era agradável com ninguém e sobretudo comigo. Cada vez que eu acendia um cigarro, ela me olhava feio, mas muito feio mesmo. Até o momento em que se aproximou e inquiriu: “Me diga uma coisa, porque é que você bate com o cigarro no isqueiro antes de acender?”. “Estou incomodando com a fumaça ?”, perguntei educadamente. “A fumaça não me incomoda, eu também fumo”. “Então é a marca?” perguntei de novo. “Não, eu também fumo cigarros americanos”. Olhei-a bem para me certificar de que ela não tinha exagerado na vodca: “Nesse caso, qual é o problema?”. Ela afirmou peremptória: “Você é da KGB.” “KGB, eu ?”. “Você é da KGB!” repetiu, me fuzilando com os olhos. Eu quis rir, mas resolvi responder no mesmo tom: “Olha aqui, não lhe dou o direito de me acusar, mesmo porque se eu parecesse de algum serviço secreto, seria o polonês e não o russo!” Uma vez que ela continuava a me olhar de maneira inquisitória, emendei: “...seria o brasileiro e não o russo!” Como ainda não parecia convencida, indaguei: “Afinal, o que faz você pensar que sou da KGB?” “Você bate com o cigarro no isqueiro antes de acender”. “E daí?”. “Esse é o código da KGB!”. Ela virou as costas e eu acendi mais um cigarro, não sem antes dar umas batidinhas com ele no meu isqueiro.

Até amanhã, que agora é hoje e há seis anos exatos parei de fumar graças à TOCMF!

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posted by Sheila Leirner at 12:32 |

sábado, 1 de janeiro de 2011

Happy 2011 ☺

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posted by Sheila Leirner at 10:13 |

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Querida Sheila responde!


Meu novo blog é destinado a responder, de maneira rápida e concisa, as questões dos leitores à maneira das colunas existentes em alguns jornais americanos e ingleses. Elas são úteis e interessantes pois, em geral, as pessoas possuem as mesmas emoções e problemas e ficam felizes em ver que não estão sozinhas. Primeira vantagem: as perguntas são anônimas e podem ser compartilhadas e comentadas por todos. Segunda: você terá alguém de bom senso (e alguma experiência), com quem falar.

Até amanhã que agora é hoje e estou esperando você também aqui !

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posted by Sheila Leirner at 10:24 |

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Que experiência!

PaulUm amigo me escreveu com algum atraso para o qual "o triste desfecho e o fim do campeonato mundial serviram de boa desculpa". Pensei sobre o assunto e, se essa Copa nos deu emoção (e como deu!!!) o desfecho não foi tão triste assim. Veja bem: sobraram muitas lembranças. Algumas, realmente deliciosas. Grandes jogadores, grandes jogadas, grandes momentos! E muitas revelações: Espanha (com Iniesta), Uruguai (com o gênio Forlan), Alemanha (com uma equipe de "intelectuais"), a incrível organização na Africa do Sul - Mandela no final - e "last but not least"... Paul, o polvo! O Nostradamus aquático acertou todas! É um cefalópode que já está com quase 60 mil amigos no Facebook, figura na Wikipédia em 28 línguas e agora tem imitadores como Pauline, a "polva" holandêsa, Mani o periquito de Singapura, Pino o chimpanzé da Estônia. Viva o polvo! Ficam também os maus momentos: o fiasco dos "bleus", a frustração com a "Seleção" e aquele técnico Dunga parecendo um tanto grosso e psicorígido... além da horrível bola Jabulani e - o pior de tudo - a VUVUZELA de furar os tímpanos!!! Ah sim, dos maus momentos não devemos esquecer os "hooligans" cor de laranja que nos eliminaram e que foram passados para trás na final, felizmente! Eta jogo feio desses holandêses! E quantos árbitros e bandeirinhas incompetentes, talvez até mesmo alguns biltres. Bem, não se pode dizer que foi uma experiência comum...

Até amanhã, que agora é hoje e esta amadora (brasileira) de futebol continua exultando com as derrotas da Argentina!

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posted by Sheila Leirner at 08:53 |

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Porque eu não gostava de Saramago



29 de novembro de 2008, Auditório da Folha.

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posted by Sheila Leirner at 15:00 |

sábado, 3 de abril de 2010

Happy Easter! Joyeuses Pâques! Feliz Páscoa!



Na Páscoa todo mundo diz "cuidado com o chocolate". Eu digo "o chocolate que se cuide"! Até amanhã, que agora é hoje e já estamos indo em direção do Natal!

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posted by Sheila Leirner at 14:25 |

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O concurso

No dia 23 de outubro de 1906, Santos Dumont voou cerca de 60 metros a uma altura de dois a três metros com seu 14 Bis ("Oiseau de proie") no Campo de Bagatelle, em Paris. Na comemoração do centenário, há três anos exatos, conquistei o 1° lugar no concurso de Frase, Hai Kai ou Poesia sobre o tema: Santos Dumont, Centenário do 14 bis, Pai da Aviação, Inventor do Avião. Ganhei um lindo Relógio Dumont (chegado diretamente de Juiz de Fora, MG), "prêmio Banana-Ouro" do saudoso blog Banana&Etc, pilotado pela querida garimpeira Helô. Continuo a usar o meu relógio com orgulho em todas as ocasiões.

Meu pequeno poema vencedor:

O avião de Santos risca o céu
Todos apontam o delicado sagre
Alguns dizem que é troféu
Eu digo que é milagre.

Até amanhã, que agora é hoje e... não se fazem mais concursos como antigamente!

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posted by Sheila Leirner at 15:38 |

domingo, 18 de outubro de 2009

O absurdo da perenidade destruída pelo acaso.

Estandarte: Hélio Oiticica, 1968

Pode-se chamar a destruição de um acervo artístico de perda material? Pode haver seguro ou substituição para a morte do elemento vivo da criação?

São dois os níveis de compreensão para este desaparecimento. Um, o econômico e cultural. Outro, o filosófico.

Falar, portanto, sobre o prejuízo que significa o aniquilamento de centenas de obras, para um país que ainda se encontra em tão precária situação cultural, seria o óbvio. Dizer que o ocorrido corresponde ao dano de uma sala histórica destruída em Versalhes, talvez fosse até impróprio. Afirmar que não existem recursos para a substituição ou restituição de um patrimônio artístico desta monta é cair na banalidade de uma evidência.

Do ponto de vista ético, no entanto, importa agora só a compreensão filosófica deste acontecimento lastimoso. É o momento em que fatalmente se questiona a fragilidade, não do homem, mas das suas manifestações. Mesmo as que carregam a aura da imperecibilidade, o sentido de sua representação espiritual maior. As que continuam a gerar reverência tanto entre o público comum quanto entre a vanguarda que justamente contesta estas qualidades. Da mesma forma como há a serena aceitação da transitoriedade da vida humana, é extremamente difícil duvidar da perenidade da obra de arte como objeto e como idéia representada. No seu sentido tradicional ou contemporâneo, ela ainda parece representar a perpetuação do homem. Queira o artista ou não, existe a noção de que a obra o ultrapassa no tempo e no espaço.(...)

A conhecida escultura do suíço Jean Tinguely, que se autodestruiu em alguns minutos, talvez tenha sido a primeira de todas as manifestações desmaterializadas da arte. Pois, além de colocar em questão as características convencionais da arte tradicional, apresenta a obra verdadeiramente indestrutível, porque na própria destruição está a idéia da sua perenidade.

Não obstante, como explicar o sentimento de dor que nos invade ao saber da destruição real dos valores por nós tão contestados? As idéias acabam por permanecer soterradas sob o metafísico e irreparável sentimento de perda, que não é mais do que um profundo e irracional sentimento de amor. O mesmo que gera o próprio ato da criação.



Trechos do artigo escrito na manhã de domingo, dia 9 de julho de 1978, na própria redação do jornal
O Estado de S. Paulo, enquanto que lágrimas rolavam pelo meu rosto. Eu estava sob o choque da notícia do incêndio no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, desastre sem precedentes na história das grandes coleções de artes plásticas onde desapareceram duas telas de Picasso, duas de Miró e centenas de obras de artistas brasileiros colecionadas ao longo de 20 anos. De mil obras, restaram 50, e dos dois andares atingidos, cinzas. O sinistro do MAM atingiu dimensões jamais registradas. Além do acervo do museu, queimou-se toda a mostra Arte Agora II onde estavam expostos 205 quadros de pintores latino-americanos, entre eles toda a fase construtivista do uruguaio Joaquín Torres-Garcia, um período de quase duas décadas de criação.

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posted by Sheila Leirner at 15:49 |

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Seis coisas que aprendi

Não é todo mundo que faz dois aniversários de uma só vez. Eu, sim. Hoje, além do meu aniversário atual, resolvi comemorar igualmente aquele decênio a mais que completei há um ano. Pois que sou muito lenta, só agora caiu a ficha de como a data foi importante para mim. Simbólicamente, ela anunciou a chegada a uma suposta maturidade que não festejei porque mal percebi! Hoje, portanto, não apenas o champagne, o bolo e o presente virão em dobro, como escreverei seis coisas que aprendi em seis decênios e que, não sendo "prescrições" mas apenas experiências pessoais, talvez outras pessoas possam aproveitar:

1) Não minta (ou omita) a idade. É melhor dizer a verdade e parecer mais novo do que mentir e parecer mais velho e... mentiroso. Alguns anos não fazem a menor diferença e, de qualquer maneira, todo mundo sempre sabe (ou calcula) qual é a sua idade.

2) Se não for por problemas estéticos graves, psicológicos ou de saúde (e se você não for ator, apresentador de televisão ou artista especializado em performances cirúrgicas) não faça nenhuma intervenção ou aplicação artificial de elementos estranhos ao seu corpo. Você conhece sensação mais desagradável do que não reconhecer um amigo? E coisa menos estética e mais repugnante do que um rosto ou um corpo refeitos quando se percebe (e sempre se percebe) que foram alterados? Um rosto com rugas e mesmo um corpo com defeitos podem ser belos, mas um rosto ou um corpo refeito não tem beleza, jamais.

3) Aprenda a se amar: aceite a sua idade, o seu rosto e o seu corpo como eles são e você terá uma das maiores provas de seu amor por sí mesmo. Mesmo que a idéia lhe incomode e você não goste de freqüentar os clubes que lhe aceitem como sócio, o esforço vale a pena. Com ou sem papo, rugas ou barriga, existem pessoas mais amáveis e atraentes do que aquelas que se amam?

4) Seja o mais autônomo possível. Enquanto e quando não precisar, dependa o mínimo que puder de outros. Lembre-se de que uma pessoa assistida é uma pessoa diminuída. Quantos tenho visto infelizes apenas porque são preguiçosos ou não sabem fazer nada sem a ajuda de alguém. Secretária, assistente, ghost writer, professor de computador, personal trainer, coach, governanta, babá, empregada, motorista, psicólogo, manicura, psicanalista, guru, cabeleireiro, cozinheira, vidente, passadeira, engraxate, barbeiro, costureira, etc. – tudo isso pode ser uma grande armadilha. A facilidade paga-se caro. Se não forem absolutamente necessárias, estas "ajudas" podem enfraquecê-lo a ponto de deixá-lo dependente como de uma droga. Experimente ir tirando, uma a uma, todas as muletas e você vai descobrir, com satisfação, quanta coisa é capaz de realizar sozinho! O que, além de ser uma grande economia, fará você se sentir mais forte, valorizado, feliz e orgulhoso. Penso especialmente em Marguerite Yourcenar que simplificou tanto o final da vida dela a ponto de "esperar como uma recompensa" o deleite proporcionado pelo pão feito com as suas próprias mãos.

5) A maior vantagem da autonomia é a descoberta do "fluir" ("flow", segundo Mihaly Csikszentmihalyi) que traz a felicidade. O "fluir" é o exato oposto da preguiça, uma espécie de aumento para a vida, algo difícil de explicar pois trata-se de uma delícia e, como todas as delícias, é preciso prová-la para saber o que é. Porém, é um prazer inteiro muito fácil de encontrar. Não é ficar como uma lagartixa ao sol num iate, ou em frente da televisão ou numa festa de copo na mão. Ele acontece quando a gente se dá uma tarefa justa e bastante difícil que requeira todas as nossas capacidades e toda nossa atenção. Desenvolvemos uma paciência, uma competência, existe um progresso e os desafios são cada vez maiores. É como se estivessemos hipnotizados sem pensar em nada de ruim. Esse é o "bom trabalho" que faz a "vida boa", nada a ver com o moralismo da frase "trabalhar enobrece"... Descubra em suas atividades (autônomas) a que mais o transporta ao mundo da felicidade, fazendo você esquecer os problemas e as preocupações do dia a dia. Eu lhe garanto por minha própria experiência que, ao tirar as "muletas" citadas acima, você certamente descobrirá várias ocupações nas quais esse verdadeiro "fluxo" vai prosperar.

6) Ambicione pouco e sonhe muito. Diz-se que a chave da felicidade é não ambicionar o que não se pode ter e amar o que se tem. Concordo com a segunda parte, porém o melhor seria trocar a ambição pelo sonho que, além de não fazer mal a ninguém, pode ter um efeito mágico sobre aquilo que se deseja. Se você "sonhar" em ter um carro como o do seu vizinho, você não sentirá a inveja e a angústia que a "ambição" de ter aquele carro lhe traria. O sonho é positivo, a ambição é negativa. É possível até mesmo que, de tanto sonhar, um dia você venha a ter o tal do carro... e se não tiver, vai poder dizer sem qualquer mágoa: "foi apenas um sonho".

Até amanhã, que agora é hoje e as próximas "experiências da maturidade" aqui no QOC... só quando eu estiver com 70!

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posted by Sheila Leirner at 03:17 |

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Onde estava eu no dia 20 de julho de 1969?

Buzz Aldrin pisando na Lua (Nasa)

Paris. Quando Gica, minha mãe, decidiu ir embora de vez após uma longa estadia de amor infeliz, acabei por ficar. Apenas alguns meses depois da minha chegada, ela devolveu a bela casa alugada ao proprietário e me colocou num pequeno hotel alí mesmo, perto da Cidade Universitária. Deste modo, segundo ela, “eu teria algum tempo para achar um quarto de estudante ou um estúdio para alugar”. Deixou-me umas louças, panelas, o carrinho que na época as pessoas chamavam de “pote de iogurte” e se foi.

Era o segundo trimestre de 1969. Lembro-me até hoje quando eu, com a minha recém-tirada carta brasileira de habilitação, voltava do aeroporto de Orly aonde a tinha levado assim como todas as malas dela. Quase não conseguia enxergar o caminho de tanto que as lágrimas corriam pelo meu rosto. Estava sozinha no mundo pela primeira vez. Lembro também que passei na loja Nicolas e comprei uma enorme garrafa de plástico de vinho ordinário, antes de ir para o meu quarto de hotel. Foi o primeiro e último verdadeiro porre que tomei em minha vida. Acho que nunca me senti tão mal! Hoje, os jovens não querem mais sair da casa dos pais. Para Terence, meu irmão, que veio em seguida estudar em Londres e para mim, isso era uma questão de “honra”. Por isso ficamos independentes tão cedo. Depois do choque inicial do contato com a independência e a solidão, vieram as inevitáveis descobertas e desapontamentos nas relações humanas. Mas tudo correu bem...

***

Ainda tentava me adaptar à nova situação, quando soube que a minha mãe esquecera de pagar a conta do telefone. O pouco dinheiro que eu recebia e depois também ganhava arrumando o consultório de um médico, não dava para cobrir os telefonemas todos que ela tinha feito ao Brasil. E o proprietário não era qualquer um. Tratava-se do irmão de Bóris Vian, o poeta. Por sorte, Gica, verdadeira "brazilian princess", encontrou uma maneira de me mandar a soma e lá fui eu com o envelope à casa de M. Vian que, pelo visto, também devia ser escritor.

Era 20 de julho, à tarde. Mal imaginava eu em que dia estávamos! Toquei a campainha e M. Vian respondeu mau-humorado: “Agora não posso, volte mais tarde”. Ao ver a minha decepção deve ter ficado penalizado pois mudou de idéia: “Bem, pode entrar. Mas aguarde um pouco, pois estamos muito ocupados”. Do hall eu via a televisão ligada e o sofá onde ele e a mulher sentavam-se. Penso que se sentiram constrangidos em me deixar ali plantada pois logo foram me convidando para sentar também. As imagens eram impressionantes e me deixaram muito emocionada. Foi assim, num gasto sofá de veludo vermelho, entre Monsieur e Madame Vian, com o envelope do pagamento da conta do telefone no colo, que eu vi - "maravilha da vida"! - Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin pisarem na Lua pela primeira vez.

Mas foi também naquele exato instante, do outro lado do oceano, que Gica, Felícia minha avó, e a querida Madalena, nossa caseira há 40 anos, arregalaram os olhos diante da televisão na biblioteca aquecida da Casa do Telhado Verde, em Campos do Jordão. Pela janela avistava-se o jardim ainda coberto pela geada matinal. Faltava pouco mais de uma semana para que as férias de inverno na montanha terminassem. Madalena fez menção de sair, dizendo que aquilo era invenção.

- Venha aqui, Madalena! chamou a minha mãe. É verdade, sim. Olha aqui eles pisando na Lua! Estão até espetando a bandeira dos Estados Unidos! Está vendo?

- Claro que estou vendo! Vejo, mas não acredito.



***

Até amanhã, que agora é hoje!

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posted by Sheila Leirner at 09:16 |

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Conclusão de Natal e Ano Novo

"Le Corbeau des mers"

"Quanto mais os anos passam, mais sêniors haverão, pois a cada 50 segundos uma pessoa no mundo atinge 50 anos".
Jacques Seguela, no Senior Trend Magazine.


Até 2050, segundo os estudos disponíveis neste site o número de sêniors no mundo ultrapassará o das crianças, passando de 629 milhões a 2 bilhões.

Uma coisa é certa: hoje, pelo menos na França, a percepção que os homens têm das mulheres de 50 anos ou mais evoluiu. O que permite a marcas importantes, por exemplo, escolher sêniors atraentes como modelo. Se acreditarmos na nova revista Senior Tendance Magazine criada em julho, as "baby boomers" estão de vento em popa. Esta vaga de "novas idosas", que forma agora o "mamy boom" (vovó boom), dita a moda e se mostra nas páginas coloridas com novas carreiras, novos projetos de vida e... com companheiros de 10 a 20 anos mais jovens!

Quando elas são bonitas, elegantes e seguras de si a sua "entre-duas-idades" faz sonhar os franceses de 7 a 77 anos. Segundo a sondagem recente realizada pelo observatório Ipsos-Linéance, 69% dos homens confessam achar as mulheres de mais de 50 "fisicamente atraentes". Mas este sentimento atravessa gerações: concerne logicamente quase todos homens acima de 50 anos (91%), a maioria dos que estão entre 35 e 49 anos (80%) e também os de 25 a 43 anos (50%).

Conclusão de Natal e Ano Novo: até amanhã que agora é hoje e as vovós continuam fazendo sombra aos netinhos...



video

posted by Sheila Leirner at 12:15 |

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

59 forever!

Meu Karman-Ghia da cor do cavalo branco de Napoleão

Até hoje não sei se as mães lembram dos aniversários dos filhos realmente porque eles fazem anos ou se é porque as datas coincidem sempre com os aniversários dos próprios partos que deram à luz os filhos delas. Coisa que é, diga-se de passagem, igualmente comemorável. Ontem foi o meu aniversário. Não vou contar a minha idade. Para bons entendedores apenas publico a foto* de um carro idêntico ao meu no começo dos anos 70. Ali, no banco traseiro (ou dianteiro, não lembro bem), ficava o "assento de proteção de bebê" do meu filho Paulo...

Mas aproveito também a ocasião especial para apresentar Kika aos meus leitores. Ela é a personagem principal das histórias em quadrinhos que estou criando com um maravilhoso desenhista brasileiro que mora na França.

Aqui está o diálogo muito pertinente (foi inventado ontem mesmo) entre Kika e a amiga Prunela:
Kika - Meus 60 anos vão ser um grande marco na minha vida.
Prunela - Porquê?
Kika - Porque a partir dos 60 vou ficar com 59 para a eternidade!
Se você quiser conhecer a Kika, clique aqui. A senha para entrar no site é "sigmund" (com "s" minúsculo). Se não quiser brincar de senha clique DIRETO AQUI. Até amanhã que agora é hoje e eu tenho que encontrar urgente um jornal ou uma revista que queira nos publicar!





*Meu Karman-Ghia da cor do cavalo branco de Napoleão: foto roubada da página de Luis Nassif


Marcadores: amizade, cores, Kika, lembranças, visões

posted by Sheila Leirner at 16:38 |

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Não pode!


No último fim de semana, depois de vários meses de reformas, foi a reabertura do Museu Picasso em Antibes no sul da França. Não é porque defendo o conservador do museu que foi meu marido anterior, mas Pablo Picasso deve ter saltado de alegria em sua tumba ao saber como ficou linda a renovação do Castelo Grimaldi onde viveu.

Ainda bem. Foi uma boa compensação depois de o gênio ter se revirado no túmulo ao descobrir 3D Exploration of Picasso's Guernica da fotógrafa alemã Lena Gieseke que mora em Nova York e foi mulher do Tim Burton.

Tanto quanto Picasso, também "gosto do que evolui". Porém, ver a Guernica - que descobri ainda criança e com emoção na Bienal de São Paulo nos anos 50 - transformada em clipe tridimensional é triste! Pior do que ouvir os "remix" musicais onde os DJ's desrespeitam compositores e intérpretes. O que resta do sentido trágico, paradoxalmente aprofundado pelo achatamento das formas e pelas cores sombrias da obra do gênio ? Onde estão a incisão e a virtualidade violenta do traço e dos volumes que transformam o manifesto em grito surdo? Ao dar volumes reais aos volumes virtuais de Picasso, a moça esvazia totalmente a linguagem do mestre!

No site da fotógrafa ela diz que a sua intenção foi criar uma contemplação profunda e provocadora da obra de Picasso. Como se o quadro precisasse disto!

Até amanhã que agora é hoje e xô virtuoses espertalhões que "kitschizam"* obras-primas transformando-as em assombrosos e gratuitos exercícios técnicos!

**************************************************************************

kitschizar – verbo que inventei a partir da palavra kitsch que, segundo o Aurélio, diz-se de material artístico, literário, etc., considerado como de má qualidade, em geral de cunho sentimentalista, sensacionalista, imediatista, e produzido com o especial propósito de apelar para o gosto popular: "O kitsch é a estética do digestivo, do 'culinário', do agradável-que-não-reclama-raciocínio." (José Guilherme Merquior, Formalismo e Tradição Moderna, pp. 13-14).

Marcadores: arte, cores, kitsch, lembranças

posted by Sheila Leirner at 18:34 |

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Falando de coisas sérias



Nasceu!

928 páginas, 1344 gramas e 5 anos de gestação, junto com um parceiro excepcional e colaboradores do primeiro time! Até amanhã, que agora é hoje e vou comemorar, uf!

posted by Sheila Leirner at 17:24 |

domingo, 18 de maio de 2008

E a primavera vence o inverno mais uma vez!


"A terra é insultada e oferece as flores como resposta".
Rabindranath Tagore [1861-1941]



posted by Sheila Leirner at 09:14 |

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

As asas do tempo



"Sobre as asas do tempo, a tristeza vai-se embora".
Jean de la Fontaine



Marcadores: amor, cores, lembranças, visões, votos

posted by Sheila Leirner at 00:01 |

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Em 2008 a felicidade é possível!


"Eu fiz uma descoberta estranha. Toda vez que converso com um sábio tenho a certeza de que a felicidade não é possível. Já quando converso com o meu jardineiro, fico convencido do contrário".
Bertrand Russell, filósofo, matemático e escritor (1872 – 1970)

Ao leitor querido, paciente e compreensivo, que aturou as minhas ausências e mancadas em 2007 e que me apoiou (mesmo sem saber) durante os longos meses nos quais enfrentei graves problemas com a saúde de meu filho, um Feliz Natal. Até amanhã, que agora é hoje e para todos nós um maravilhoso 2008 à maneira dos jardineiros! Xô sábios!



Marcadores: amizade, cores, lembranças, votos

posted by Sheila Leirner at 18:27 |

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